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24 de mar de 2011

Acredite no futuro bom!


Muitas das leitoras que entram em contato e enviam e-mails gritando socorro são mulheres que hoje estão solteiras, pois houve uma separação – sempre é dolorida – depois que a criança nasceu.

Mulheres que estavam lá naquele primeiro ideal de família – papai, mamãe, filhinho/filhinha – e que teriam tudo o que outras não têm (o pai ao lado) para ter uma vida feliz, não é?

Não, infelizmente.

Quando o assunto são relações humanas nada pode corresponder ao ideal.

Bem, essa história de ideal me incomoda muito, sabe. 

A gente cresce com tantos!

De beleza, de saúde, de escola, trabalho, a casa ideal, o carro ideal, a família ideal, etc.

Porque um Fulano decidiu um dia que X seria o ideal, nós pobres mortais passamos uma vida de sofrimento por não poder atingir nem metade deles.

Aí você não conseguiu ser a mais bonita da escola, nem a mais popular; não tem o carrão do ano que foi lançado em 159 países simultaneamente; não pode comprar aquela mansão dos sonhos naquele bairro caríssimo; talvez nem tenha tido a oportunidade de seguir a carreira com a qual passou a infância sonhando...

Aí você conseguiu ao menos um ideal, ufa!

Casou e constituiu uma linda família.

Mas aí o príncipe virou um sapo nojento, cheio de verrugas, gosmento e barulhento e muito sabiamente você resolveu dar um pé nele e mandá-lo de volta pra lagoa. Ou porque ele era agressivo ou porque era infiel; era um péssimo exemplo para estar ao lado de seu filho ou não conseguiu lidar com a responsabilidade que é criar uma criança.

Seja lá porque cargas d água, você teve a coragem de deixá-lo.

Meus parabéns! Primeiro passo rumo a sua auto-estima fortalecida!

Só que ai você se viu sozinha tendo de arcar com a responsabilidade de criar seu rebento sem a ajuda do sapinho e isso causou um pânico sem tamanho.

Ok, amiga. Eu entendo o pânico.

Sei o que é criar um filho sozinha e desejar ter ao lado um macho homo sapiens para auxiliar nas madrugadas, quando o bebê chora, para ajudar a empurrar o carrinho, para ajudar a carregar as bolsas, ajudar com a alimentação, educação, e com a orientação na criação de um ser humano digno.

Digno?

Vamos parar aqui para refletir:

Se você ama seu pimpolho vai desejar que ele seja um ser humano digno. Concordamos nisso, não é?

Mulher moderna que sou, recorri ao Aurélio online para saber exatamente o que significa:

Digno: Merecedor: digno de elogios. / Apropriado, conforme: filho digno do pai. / Honesto, honrado: um homem muito digno.

Pensa comigo agora, por favor.

Como você vai criar um ser humano digno tendo ao lado dele (e do seu) um homem que não consegue se comprometer com o papel de pai e com todas as responsabilidades atreladas a ele?

Como criar uma pessoa amável e carinhosa se ela vê o pai agredindo verbal e fisicamente sua mãe?

Nossa leitora, Maria Cristina, nos contou que vivia com o marido, mas este a agredia fisicamente. Quando sua filha tinha nove meses, nossa amiga percebeu que ela ficava agitada na presença do pai. Sabiamente ela se separou e foi procurar abrigo em um lugar no qual ambas pudessem se sentir seguras.

Até aí tudo bem e até eu teria feito a mesma coisa.

Até teria feito, não. Faria!

O problema hoje é que essa mulher que teve coragem de perceber que o sonho idealizado não correspondeu à realidade e nem por isso ficou presa a ele, agora se sente triste e amargurada.

Chora o fim do relacionamento e esquece o que ele era de fato.

Fica presa ao ideal que o tal Fulano disse que era o certo e se culpa por não ter conseguido atingi-lo.

Mas se nossa intenção é criar nossos filhos para serem melhores do que a gente, porque se culpar por querer uma vida melhor, mais digna e sem dores?

Existe uma coisa meio louca que alguns chamam de zona de conforto, mesmo que às vezes não nos conforte. É aquele lugar que a gente já conhece e se sente segura, mesmo que às vezes essa segurança não seja real.

Quando a gente sai dessa zona, desse território “confortável”, bate a insegurança do novo, pois nos abrimos para algo que ainda não vivemos, não conhecemos, não sabemos no que vai dar.

O medo gera angústia e a angústia nos deixa mais fracas do que realmente somos. Afeta nossa auto-estima e nossa crença de que podemos fazer diferente e melhor.

Então hoje proponho uma injeção de ânimo e crença num futuro bom!

Para amigas que assim como a Maria Cristina, tiveram a coragem de romper relacionamentos ruins e que estão tentando construir uma vida mais digna para elas e para seus filhos.

E proponho um basta aos ideais que só nos prendem e aprisionam.

Proponho uma vida apropriadamente bela e feliz para pessoas que, assim como ela, são merecedoras do melhor!

Cada ser humano tem dentro de si todas as possibilidades e potencialidades, basta acreditar.

Acredite sempre em você!


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