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28 de jan de 2011

Você vai assumir meu filho?


Conversando com amigos e amigas dias atrás percebi que, ainda hoje, vivemos em um mundo extremamente machista.

Eu sou meio Polyana, cismo em usar óculos com lente cor-de-rosa e aí acabo tendo uma visão meio que embaçada da realidade.

Você deve saber que ando à caça... Se não, leia os textos mais antigos e se inteire do assunto.

A questão é a seguinte:

Quando nos relacionamos com alguém o passado é revirado. Temos uma crença de que com o conhecimento dos atos pregressos, poderemos prever os atos futuros do sujeito em questão.

Aí não sossegamos enquanto não passamos em revista todos os ex-casos de nosso atual caso. O mesmo ocorre com eles.

Acontece que homem tende a ser inseguro e não curte muito essa coisa de ser comparado com outros homens.

Você tendo um filho ao lado já tá exibindo um outdoor “Tive minha cota de experiência”.

O Fulano pensa: - Puts, ela vai me comparar com o ex.

Mas não acaba aí!

Além do medo da comparação, o Fulano que acabou de te conhecer pensa assim:

“Nossa, essa mulher é linda, inteligente, bem humorada, carinhosa, parece ser uma pessoa confiável. Tudo bem, eu até aceito ela ter tido outros homens na vida dela, até porque sou bem melhor do que eles. Se for me comparar, vai ver que sou “o cara”. Mas ela tem um filho. Não vou ficar com uma mulher para assumir filho de outro.”

Neste momento deixamos de ser o objeto de desejo do Fulano e nos tornamos apenas “mãe de um filho de outro cara”.

Num momento de indignação, venho aqui proclamar em nosso nome o seguinte protesto:

Meu filho, saca essa: Eu não quero que você assuma meu filho. Ele tem pai. Mesmo que esse pai seja apenas o produtor do espermatozóide, ele tem. Se tá registrado só no meu nome é porque eu quis assim e não é você que vai mudar isso. Você não tem que assumir nada além de um relacionamento comigo. Mas, pensando bem, não assume não. Porque eu não quero um “cara” tão imaturo e machista como você.

Protesto feito, discorro mais sobre o assunto.

Deixando de lado os óculos cor-de-rosa, já vivi situação inversa da que me encontro: namorei muito tempo um rapaz que tinha uma filha (oposta não, porque estou solteira, sem namorado, mas você entendeu, né?).

Não era fácil lidar com a situação, até porque eu era imatura na época. Eu sentia ciúmes da menina, ela sentia ciúmes de mim e o coitado tinha que se virar nos trinta para dar conta das duas. A cada quinze dias nosso final de semana era programado em função da criança. Seis dias por mês tínhamos a presença dela. Mas restavam vinte e quatro!

O namoro terminou porque o amor acabou (e o respeito também) e a menina não teve influencia nenhuma nisso.

Tudo bem que nós mulheres somos seres humanos mais evoluídos e acreditamos que pessoas agregam. Ao contrário dos machos que vêem em nossos filhos motivos de exclusão.

Mas, vamos combinar: - se você tem um paquera que acha que seu filho é um problema, dá um pé na bunda do infeliz e manda pra terapia ou pra vida, pois tá precisando amadurecer um pouco – ou muito.

Hoje nosso mundo é tão excessivo, tão consumista, tão descartável... Ok, o mundo não é descartável, nem consumista, nem tem nada em excesso. Ele tá sempre ali dando suas voltinhas em torno do sol, tranquilinho, só esperando a próxima Era chegar (tá chegando a das águas. Quanta chuva!). 

Foi mal.

Hoje NÓS vivemos uma cultura do imediatismo, do consumo pelo consumo, do descartável. E acabou que isso saiu das prateleiras de mercados e vitrines de lojas e veio pro nosso lado. As pessoas acabam se tornando descartáveis também.

Ninguém está muito afim de “perder” tempo construindo relações. Se adequar a elas então, nem pensar! Ou meu relacionamento vem do jeito que eu programei, com o tipo de pessoa que se encaixa no que planejei ou não vai rolar, mesmo que eu tenha curtido demais.

Na realidade ninguém planeja, quando criança, ter uma relação com uma mulher mãe de família (uniparental, ma ainda assim família!) e quando conhece uma mulher maravilhosa como você, desiste assim que você diz que tem um pimpolho em casa, te esperando.

Eu sei, porque tenho passado por isso algumas vezes, depois de Lipe.

Aí penso em largar de vez meus óculos rosa e desistir de homens e viver única e exclusivamente em função do meu rebento.

Mas aí penso que nem todos os homens são tão imaturos assim, que todos os relacionamentos têm suas especificidades e que não é impossível encontrar alguém que pense como eu.

Acredito que vamos evoluir, pois é a ordem natural, e que um dia viveremos em uma sociedade mais harmônica e menos preconceituosa. Acredito que alguém (espero que seja um macho da espécie) vai ver meu filho como vejo:

Uma benção que só faz agregar alegria aos privilegiados que podem compartilhar de sua linda vida – sendo honesta, ele está irritantemente birrento esses dias.

E que este macho homo sapiens entenda que seu papel não é assumir uma paternidade, mas fazer parte do que já existe.

Quer saber? Vou continuar caçando!

Com lentes cor-de-rosa.



Um P.S. para você entender nosso site:

As histórias tem um pouco de ficção e um pouco de veracidade. Pensamos em escrever sobre a vida de uma mãe solteira levando em conta muito humor (ainda que sarcástico) e levantando questões mais delicadas, buscando dividir nossos conhecimentos com você. Ser mãe solteira não é, de fato, um problema. Somos nós que, às vezes, nos deixamos rotular.

Escreve pra gente e conta sua história. Ela pode ser publicada no site e ajudar outras mulheres a entender que não estão sós.

5 de jan de 2011

Preconceito, sempre ele!

Hoje fui verificar como andam as palavras-chaves que trazem vocês até aqui.

Em 90% dos casos, obviamente, o termo “mãe solteira” aparece. Mas surgiram outras buscas:

“Mãe pode registrar filho sem pai.”

“Como matricular filho sem registro na escola.”

 “Como registrar a paternidade de uma criança filha de mãe solteira.”

“Como é a vida de mãe solteira.”

E por aí vai...

Já contei aqui no site sobre o Grande Dia da Primeira Matrícula. Se depois de ler, ainda tiver dúvidas, manda um e-mail que a gente (eu) esclarece.

Como é a vida de uma mãe solteira? Bem, ainda estou vivendo isso, diariamente, diga-se de passagem.

Como registrar a paternidade de uma criança sem pai vai ficar para uma próxima, pois é assunto pra um livro!

Hoje vamos falar sobre o (ainda) tão temido termo “mãe solteira”.

É uma expressão bastante difundida e utilizada por todos, muitas vezes até para definir quem é você.

Você pode dizer que é uma mulher solteira de um filho sem pai, se preferir.

Ou que é uma produtora independente de crianças.

Não importa muito o termo, e sim se você permite que os outros te enquadrem nele e te rotulem como um “conceito”.

Mas vamos esmiuçar mais a questão, ainda que brevemente.

Você é mãe e estar solteira não interfere, teoricamente, na relação que você tem com o seu filho. Não define se você é uma boa mãe ou não, se nasceu para a tarefa, se cria seu rebento do jeito certo ou errado.

Você poderia estar casada e ser uma péssima mãe, assim como pode estar solteira e ser uma péssima mãe.

Pode ser uma ótima mãe que está solteira e continuaria sendo, caso fosse casada.

Acredito que a grande questão aqui é mãe atrelada ao estado civil.

Vivemos em uma sociedade que adota como modelo de família perfeita “pai-mãe-filho” e se você está fora dessa, sente-se realmente "de fora".

O preconceito em assumir o outro modelo “mãe e filho” vem da falta de um companheiro, quase sempre. 

Ou seja, na maioria dos casos não é a capacidade de ser mãe que está sendo colocada em xeque, mas a falta de um marido.

Como mãe solteira, penso que devemos aceitar que fazemos parte sim de uma família. Não estamos por fora. Só não estamos no primeiro modelo.

E nossa capacidade em criar bem nossos filhos não pode ser vinculada a um marido/pai.

Não vamos ser ingênuas a ponto de dizer que é maravilhoso ser mãe sem ter alguém ao lado para dividir a responsabilidade pela criação de um filho. Não jogamos pedra na cruz nem queimamos dinheiro (ainda).

Mas vamos parar e refletir por um instante:

Necessariamente temos que ter a ajuda do marido/pai?

Não podemos encontrar esse apoio na família, nos parentes próximos, vizinhos ou amigos? 

A “falta do produtor do espermatozóide ao lado do seu pimpolho” não é sinônimo para “infelicidade eterna para o pequeno”.

Já disse isso aqui uma vez, mas vou repetir para que fique gravado:

Quantas crianças você conhece que nasceram dentro de um casamento e hoje vivem sem um dos pais ao lado? Quantas não têm o pai, pois este faleceu? Quantas até tem o nome do produtor no registro, mas o vínculo acaba ali?

Serão mais felizes ou menos felizes que seu filho?

Então, minha querida, se você ama seu filho, recebe apoio de alguém e está na luta diária para torná-lo um ser humano do bem, para de se preocupar com o fato de ter engravidado solteira e foca no presente/futuro.

Afinal, você engravidou solteira, mas não quer dizer que vai ficar sozinha pro resto da vida.

Fuja de quem te rotula: Você não cabe num rótulo!

E se demorar demais para aparecer um marido, faz como eu:

Vai á caça!


PS.: O "produtora independente de crianças" foi ótimo. Já imaginou como uma mulher pode produzir sozinha uma criança? Pensei em reprodução assexuada, mas aí seria uma grande ameaça para nossa espécie, pois os filhos machos acabariam, já que geraríamos apenas clones fêmeas. Se eu não tivesse um machinho da espécie dentro de casa, talvez visse com bons olhos essa opção.  ; )


4 de jan de 2011

Solteiros com filhos!


Comecei o ano sem lista de promessas.

Para quê? Vou cumprir?

Revendo meu histórico de promessas, conclui que tenho 99,9999% de probabilidade de não.

Comecei o ano sem chances para grandes frustrações, então.

E você? Fez uma lista com promessas possíveis?

Pro ano decidi que quero um pai pro Felipe.

Se você está acompanhando o Blog sabe que ando à caça de um...

Não sabe? Dá uma bisbilhotada nos textos anteriores e acompanhe-me nessa (dês)aventura!

Aí, como faço uso da Internet como canal de comunicação – tanto que estou aqui falando com você – decidi que vou usá-la como instrumento de caça.

Encontrei esse site:






Se você também está tendo dificuldades para encontrar um relacionamento no mundo pseudo-real, tenta no pseudo-virtual também.


Depois conto o que rolou =)


Ano Novo, de volta à caça!