Curta

2 de jun de 2011

Doenças Escolares - Escola Doente?

Olá, amigas.

Nem tudo são flores nessa coisa de maternidade, sabe.

Hoje vim aqui compartilhar um fato que me deixou profundamente indignada e espero que sirva como um exemplo para você estar preparada se algo semelhante acontecer com seu pimpolho/pimpolha.

Fui chamada na escola do meu rebento para uma conversa com a professora e a diretora. Leia aqui sobre o ingresso no pomposo Jardim I.

Sentei numa salinha de meio metro quadrado com o discurso ensaiado, pois realmente, nos últimos dias, ele vinha apresentando um comportamento mais agressivo dentro de casa.

Busquei junto a minha família o que de diferente havia acontecido que justificasse a mudança de comportamento e não encontrando nada, pensei que o problema estava lá na pompa do Jardim I.

Então vieram com um papinho de que meu filho deveria ter algum problema...

“Pensamos em retardo mental, em autismo, em hiperatividade, mas ele não se encaixa em nada e não sabemos o que fazer com ele, não sabemos por onde começar. Ele é muito inteligente, sabe escrever o nome inteiro, tem uma memória ótima, lembra coisas do inicio do ano. Mas ele deve ter algum problema.”

Vamos por partes, ok.

Meu Lipe amado tem quatro anos e está experimentando, pela primeira vez, a vida em sociedade.

Vive numa casa de adultos na qual ele é a única criança.

Como vocês sabem que sou mãe solteira e pedi guarita para meu querido papai (isso vocês não sabiam) ele é criado por mim e pelos avôs. 

Avô estraga, não educa.

Junte-se a isso minha culpa por ter tido um filho sem pai e você vai imaginar, minimamente, os mimos e dengos que essa criança linda e especial recebe.

Resumindo: temos muitas dificuldades para dizer não para ele.

Então tem três meses que uma criança de quatro anos de idade está inserida pela primeira vez na vida em sociedade e essa sociedade, na figura da professora e da diretora, espera dele um comportamento exemplar.

O que é comportamento exemplar?

Para mim é ter saúde para dar trabalho, é querer explorar o ambiente, sentir curiosidade por tudo o que está a sua volta, é querer se movimentar, querer compartilhar as experiências.

O que é para a escola dele?

Bom, desde que ele fique com o bumbum no chão ou na cadeira durante o período em que estiver na escola, desde que ele não brinque com o garfo, desde que não cante em sala de aula, desde que não interaja com os estímulos da sala de aula, ele poderá ter reconhecido um comportamento exemplar.

Então hoje me pergunto, por ter vivido, qual o papel da escola na vida de nossos filhos?

No que devemos acreditar?

Porque eu sou uma mãe que se importa e que procura conhecer o desenvolvimento do meu filho e porque estudo sobre isso, sei que ele não se encaixa em nenhuma patologia escolar.

Porque isso está na moda, assim como nós, mães solteiras.

Hiperatividade, transtorno de déficit de atenção, TDAH, dislexia são termos que viraram sinônimo de crianças ativas, que são curiosas e que não se encaixam mais no perfil da escola retrograda que temos por aí.

E estou trazendo hoje esse tema porque, infelizmente, nem todas as mães possuem o conhecimento sobre esses modismos de transtornos escolares.

Então, brevemente, vamos tentar diagnosticar essa criança de quatro anos de idade:

-Queixa da escola: ele não para quieto.

O que você deve observar: em casa, quando faz algo do interesse dele, ele consegue manter a atenção? Por exemplo, jogando videogame ou no computador ou vendo o desenho preferido ele fica lá, quietinho, paradinho e de tão quieto você até começa a pensar que está aprontando alguma? Pois bem, ele não tem nem hiperatividade nem déficit de atenção.
Uma criança com TDAH não consegue permanecer quietinha, nem quando acha a brincadeira muito legal.

Queixa: ele pode ter um rebaixamento cognitivo.

O que você deve observar: em casa ele consegue realizar as tarefas sozinho? Ele entende o que você quer dizer? Ele responde ao esperado para a idade? Porque não adianta você esperar que seu filho leia e escreva e saiba somar e subtrair com quatro ou cinco anos. Ele é capaz do esperado para a idade dele. Se for mais, ótimo! Se for menos, ai você realmente pode procurar ajuda de um profissional que esteja qualificado para avaliar seu pimpolho/pimpolha.


Queixa: ele pode ser autista.

O que você deve observar: ele consegue estabelecer laços sociais? Ele interage com os adultos a sua volta? Ele interage com outras crianças? Ele demonstra carinho e afeto? Se sim, descarte o que disseram na escola e busque ajuda profissional, mas para quem fez a queixa.

Queixa: ele não tem limites.

O que você deve observar: em casa ele também não tem limites? Ele obedece você ou você acaba fazendo todas as vontades dele? Se ele não obedece em casa, dificilmente irá obedecer na escola. O que você deve fazer é começar a criar regras mais claras e estabelecer limites. Existem técnicas da psicologia para mães que tem dificuldades em colocar limites nos filhos.

Mas ai seu filho realmente não para quieto dentro da escola e está dando trabalho para a professora.

Sugiro uma visita. Vá lá e observe o que acontece dentro da sala de aula. Se você se sentir entediada com tudo o que acontece, porque seu filho também não se sentiria?

Me indigna quando a sociedade recebe uma criança e, antes de conhecê-la, quer encaixá-la em algum distúrbio. 

Infelizmente nosso sistema educacional é falido e são poucos os que têm o privilégio de escolher a metodologia de ensino da escolinha dos filhos. A maioria das mães tem que aceitar a vaga que sobrou na escolinha do bairro e rezar para a professora ser legal.

Para tudo!!!

Vou rezar para a professora do meu filho ser legal com ele?

Não mesmo! 

O papel da professora não é ser legal, mas ser capaz de entender as diferenças entre as crianças que estão em sua sala de aula e transformar o período escolar em algo atrativo e motivacional.

O papel da escola é educar para a vida em sociedade, criar cidadãos.

Mas o que temos hoje são escolas que querem diagnosticar crianças saudáveis e que querem explorar o mundo em robozinhos que fiquem com a bunda grudada em suas cadeiras.

Enfim, é um assunto que rende mais...



Opine, sugira temas, meta a mamadeira!

Deixe no nosso Fórum sua opinião sobre o assunto.





6 comentários:

  1. NÃO DEVEMOS COLOCAR A CULPA NO OUTRO.
    PRIMEIRO TEMOS QUE VER O QUE PODEMOS FAZER E O QUE ESTÁ AO NOSSO ALCANCE.
    PORQUE A SOLUÇÃO DEPENDE DE UMA AÇÃO.
    ALGUÉM TEM QUE COMEÇAR, PARA ATINGIR O OBJETIVO QUE É AJUDAR O PRÓXIMO.
    ORAR SEMPRE E PARA TODOS.

    ResponderExcluir
  2. Olá querida!Sou Pedagoga e mãe e entendo bem sua indignação.Me arrepiei com o "diagnostico" que a escola fez do seu filho..Não o conheço,mas fico irritada quando ouço um professor ou um diretor rotular uma criança assim.Quem são eles?Um pisicologo + pisiquiatra + psicopedagogo + professor + orientador, todos juntos numa só pessoa?que diagnostico é esse?aff! E esse povo ainda se diz educadores...Santa paciência.vou para por aqui...tou indignada.

    ah!tou te seguindo.Adorei o cantinho.bjos

    ResponderExcluir
  3. Meu Deus, tire seu filho dessa escola imediatamente!!! Elas querem que seu filho fique quieto aos quatro anos de idade??? Agora viraram psicologas as professoras do seu filho? Aff!

    ResponderExcluir
  4. Meninas, entendo a indignação, mas minha filha já esteve no lugaro do Lipe, antes de apedrejar a escola, precisamos refletir bem o que ela está dizendo, afinal, eles passam boa parte do dia com nossos filhos e talvez o olhar deles possam nos dizer alguma coisa... Digo isso por experiência própria... precisamos entender o q realmente acontece, ele sempre deu problemas ou começou a pouco tempo? O que ocorre no ambiente qdo isso acontece? precisamos verificar qual a funcionalidade do comportamento dele, o que o ambiente está indicando para ele. Existe um modelo ou paradigma para o TDAH que fala que este transtorno é realmente, um transtorno motivacional, ou seja, as crianças realmente se implicam em umas coisas e outras não, ou seja, quando elas recebem atenção de qualidade entre outras coisas, ela pode se implicar nas tarefas, e outras vezes isso pode não ocorrer, entende? mas eu não to dizendo que o Lipe é hiperativo, to dizendo para não jogarmos pedra assim, vamos ponderar, escutar, e pensar...

    ResponderExcluir
  5. OLÁ Mãezinha, entendo toda sua indignação por ser apontada como mãe que não sabe impor limites em uma criança de 4 anos. Acredito que você tenha esquecido que a escola é lugar de regras e disciplinas. Não sei se ajuda mas sugiro que faça um curso de pedagogia.Trabalhe em uma escola assim compreenderá melhor arealidade da escola. Se não tem interesses no curso de pedagoga, que tal um trabalho voluntária de preferência em uma sala com crianças de 4 a 5 anos.

    ResponderExcluir
  6. Mãezinha, olha só... o papel da escola é de ensinar. Educar é papel de pai e mãe. Escola desenvolve habilidades, ensina conteúdos, compartilha conhecimento. Valores, respeito às regras e autoridade, limites... isso é papel dos genitores.
    A escola foi precipitada em falar de autismo? Sim, foi. Mas vc mesma diz que seu filho é criado com "culpite" e mimos de avós, uma situação fácil pra falta de limites. Não devemos culpar unicamente a escola e sim colher essa informação e usá-la para avaliar o grande cenário: todos os ambientes que nossos filhos frequentam e fazem parte. Uma coisa é como uma criança é em casa, outra é na rua.

    ResponderExcluir

Meta a mamadeira!